A Moral do Artista: Leitura de Proust

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A Moral do Artista: Leitura de ProustISBN: 978-84-9981-603-6Apresentação Este ensaio tem orientação sociológica e visa contribuir para arevalorização da literatura e arte de avant-gardedo século vinte, tomando comoinspiração a abordagem estética desenvolvida por Samuel Beckett em seu opúsculo"Proust".O sociólogo Lucien Goldmann assinala que a crise daobjetividade literária verificada com o esgotamento do romance realista doséculo XIX se reflete nos escritores de avant-garde,que exprimiriam não os valores realizados ou realizáveis, mas a impossibilidadeem formular ou perceber valores aceitáveis em nome dos quais pudessem darfigura poética a uma crítica da sociedade. O tema da ausência estaria na base do romance daangústia diante de um mundo absurdo e incompreensível (Kafka, Sartre, Camus,incluindo os autores de avant-gardedos anos 60: Ionesco, Beckett, Nathalie Sarraute, Marguerite Duras, AlainRobbe-Grillet ...). Deixando de lado em suas obras[1]a comparação com os romances de Balzac, como marco de referência preferidopelos historiadores acadêmicos da literatura, Goldmann constatou que o tema daausência tem origem em Marcel Proust, cuja obra romanesca era considerada não- críticanem de avant-garde, e, desta forma, osociólogo lançou as bases para a revalorização das leituras propostas nohorizonte da avant-garde, como aabordagem desenvolvida por Samuel Beckett, que ora ensaiamos de expor aqui. O caráter de voyeur(espectador anônimo) assumido progressivamente pelos indivíduos na sociedadeindustrial moderna, levando ao mundo administrado da comunicação social – o"Sempre Igual", como dirá T.W. Adorno – constitui a grande transformaçãosocial e humana surgida com as auto-regulações do capitalismo organizado, incluindoa passividade crescente, fenômenos esses que o sociólogo do século vinte chamareificação e examina como processus psicossociológico. Aliás, lembrem que, desde os anos 40 / 50, deixou de existir definitivamente o mercado da economia liberal, que cedeu lugar ao papel regulador do Estado através de políticas econômicas, inclusive com políticas de incentivo ao investimento ("Livre Mercado"), associadas ao fortalecimento de organismos multilaterais de cooperação comercial, a exemplo da OCDE.Quando se fala de regulação do capitalismo em sentido geral tem-se em vista os esforços para evitar o agravamento das crises: política fiscal (keynesianismo), política cambiária, sistema e regulação financeira, sistema de bancos centrais (política monetária), basicamente. O Federal Reserve Bank dos EUA, primeiro Banco Central, foi criado em 1913 (na sequência da crise de 1907, semelhante à grande depressão dos anos de 1930), dando início ao Federal Reserve System, foco da política monetária das nações, que possibilitou a reconstrução mundial após 1945. Jacob (J.) Lumier-2010[1] Cf. Goldmann,Lucien: "Pour une Sociologie du Roman",Paris, Gallimard, 1964, 238págs. / "Structures mentales etcréation culturelle", Paris, Éditions Anthropos ,1970

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