




Comunicação e Sociologia: Artigos Críticos
Apresentação
O sociólogo
desempenha uma profissão regulamentada que contempla o ensino, a pesquisa e o
serviço prestado aos programas sociais, às empresas ou às ONGs.
Os fundadores desta
disciplina ensinaram o interesse das questões
públicas, dimensionando-as como indispensáveis para compreender a consciência coletiva, cuja extensão não cessa de crescer na era da globalização e das
técnicas de informação e comunicação.
A sociologia é uma
profissão e uma disciplina científica e pode ser assim dupla em virtude de sua mirada pró-atuação. Daí a demanda por um ensino crítico, já
que a teoria sociológica é determinista ou explicativa e não se funda em
axiomas nem é subordinada às doutrinas filosóficas ou jurídicas.
Nos artigos aqui
reunidos são reafirmados e desenvolvidos além da mirada crítica, os postulados
realistas básicos de que: (a) nenhuma comunicação pode ter lugar fora do
psiquismo coletivo; (b) todo o conhecimento é comunicável mediante os
mais diversos símbolos sociais; (c) a língua não é senão um meio para reforçar
a interpenetração e a participação em um todo.
30 de Outubro 2010 / 25 de Junho 2011
Jacob (J.) Lumier
Sumário
Apresentação 7
Tecnificação e Condição Humana: 11
Introdução: a mirada diferencial 11
As Correlações Funcionais 13
Consciência Coletiva e Consciência Individual 15
Tecnificação e Sociologia 17
O Saber como Controle Social 21
O sistema cognitivo do capitalismo. 33
Sociologia do Saber Histórico 45
Será "radical" a sociologia do conhecimento? 49
Realismo de Saint-Simon 52
Internet e Cultura do Compartilhamento 57
Novo paradigma de construção do conhecimento 59
Internet e Utilitarismo 61
Conhecimento e Sociologia 64
O autômato e o estatuto do objeto técnico. 67
A Mirada Diferencial 69
A formação de um grupo estruturado 74
Movimento para uma estruturação 76
Análise estrutural e análise histórica 77
Da estratificação 79
Dependência e Independência 80
Agrupamentos funcionais 81
Notas Críticas Sobre as Teorias de Interação 84
Imitação e Sentimento Coletivo 85
A Imitação e as Relações com Outrem 86
O circulo vicioso de Freud 89
Ausência da Mirada diferencial em Sartre 91
O Sociólogo diante do Utilitarismo 97
Utilitarismo e ecologia 98
Compreender a vida moral 102
Orientação de Durkheim 105
Experiência e Variabilidade 108
A definição sociológica dos fatos morais 110
Créditos de Durkheim 112
Moralidade real 114
Sistemas de moralidade 115
Função da vida moral nas sociedades 118
Os determinismos da vida moral 120
O estudo da vida moral da classe camponesa 121
O Psiquismo refratário à modernização 121
O determinismo da moral tradicionalista camponesa 123
Efetivismo e Sociologia 125
O efetivismo 125
A Influência dos Fatores Extralógicos 129
O efetivismo como caráter humano das liberdades 130
A leitura sociológica 136
Índice 139
Perfil do Autor Jacob (J.) Lumier 140
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Sociologia e Direitos Humanos:
Informação sobre o projeto intelectual do
Livro “Comunicação e Sociologia”, de Jacob (J.) Lumier.
Comunicação e Sociologia - artigos críticos / 2ª edição modificada;
Bubok Publishing, Madrid; 143 págs; tamaño: 150x210; ISBN: 978-84-9981-937-2
http://www.bubok.es/libros/191754/Comunicacao-e-Sociologia--artigos-criticos--2-edicao-modificada
Neste ensaio "Comunicação e Sociologia", o autor Jacob (J.) Lumier elabora sobre as relações entre Sociologia e Direitos Humanos tomando como ponto de partida a concepção concreta que afirma a efetividade da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas – ONU (1).
A compreensão sociológica assim aplicada põe em perspectiva as quatro liberdades que se compreendem por elas próprias por serem liberdades humanas essenciais, a saber: Liberdade de Expressão, Liberdade de Culto, Liberdade para Querer, Liberdade contra o medo (Four Freedoms: Freedom of Speech, Freedom of Worship, Freedom from Want, and Freedom from Fear), cujos comentários o autor publica no artigo anexo intitulado "Efetivismo e Sociologia" (2), que inclui no final do seu livro.
• Os Direitos Humanos tomam parte das forças produtivas em sentido lato e, desta forma, desempenham um papel constitutivo nos próprios quadros sociais.
►Mas não é tudo. A compreensão sociológica de que os focos dos Direitos Humanos são as liberdades humanas essenciais, que se compreendem por elas próprias e, em razão deste fato, são mais do que variáveis lógicas, põe em relevo não só o pluralismo efetivo da realidade social, mas, igualmente, o fato de que os conjuntos práticos são abertos à criação e, com sua variabilidade efetiva, ultrapassam a reprodução dos paradigmas do sistema.
Deste ponto de partida, o autor defende a proposta de que um bom caminho para explicitar as relações entre Sociologia e Direitos Humanos passa pela crítica aos paradigmas de localização (3), amplamente aplicados nos conhecidos estudos de estratificação social, onde prevalecia a antiga concepção ideológica de que os conjuntos práticos seriam inertes, de tal sorte que, inseridas no determinismo das posições, as mudanças sociais se restringiriam à busca das vantagens, que diferenciam as posições na hierarquia de prestígio e fortuna.
Quer dizer, uma vez situados na sociabilidade, como aspectos da vida espontânea do Direito – portanto incluídos no ambiente microssociológico que reproduz o equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros –, juntamente com as demais manifestações da consciência – tais como a linguagem e a intervenção do conhecimento –, os Direitos Humanos tomam parte das forças produtivas em sentido lato e, desta forma, desempenham um papel constitutivo nos próprios quadros sociais.
• O problema sociológico da consciência coletiva é tornar possível compreender a própria possibilidade de comunicação universal entre os seres humanos.
► Por via do reconhecimento do papel constitutivo da consciência nos quadros sociais, Jacob (J.) Lumier revaloriza não só a introdução do problema da consciência coletiva, por Emile Durkheim (1858-1917), que trouxe a psicologia coletiva para o domínio da sociologia, mas, igualmente, põe em relevo a descoberta por Karl Marx (1818-1883) da realidade social por trás da dialética das alienações, que consolidou a pesquisa em psicologia coletiva como aquisição sociológica.
Neste marco, o autor sociólogo adota a mirada diferencial (4) e expõe que o problema sociológico da consciência coletiva é tornar possível compreender a própria possibilidade de comunicação universal entre os seres humanos, o que está a exigir uma interpretação realista da consciência, como virtualmente aberta e imanente ao ser.
Partindo da constatação de que, sem prejudicar o seu esvaziamento eventual, e para servirem de base à comunicação universal, os símbolos devem ter para todas as consciências individuais um significado, a orientação em realismo sociológico põe em relevo que isto pressupõe uma união, uma fusão parcial das consciências, anterior a qualquer comunicação simbólica. Tal é a orientação que o autor considera dever contrapor à concepção que reduz a consciência coletiva a uma simples resultante das consciências individuais isoladas, tidas como ligadas entre si pelas suas manifestações exteriores nos signos e nos símbolos.
Quer dizer, Jacob (J.) Lumier partilha a constatação de que a realidade dos níveis culturais na vida coletiva – os níveis simbólicos e significativos, as ideias, os valores e os ideais – desempenha um papel de primeiro plano que ultrapassa a consideração dogmática dos mesmos como simples epifenômenos, projeções ou produtos. Pelo contrário, a consciência coletiva os apreende, sendo, portanto, uma consciência situada no ser, intuitiva e capaz de se multiplicar em um mesmo quadro social.
Daí, a consciência coletiva é estudada (a) não só nas suas manifestações na base morfológica das sociedades, nas condutas organizadas e regulares, nos modelos, signos, atitudes, funções sociais, símbolos, ideias, valores e ideais coletivos, obras de civilização; (b) principalmente nas estruturas e nos fenômenos não estruturais (estudados em microssociologia); mas, (c) igualmente em si própria, já que a consciência coletiva não se realiza inteiramente em qualquer desses elementos, e pode extravasá-los em expressões imprevisíveis, inesperadas e até surpreendentes (5).
• As manifestações da sociabilidade são as primeiras antíteses salutares que se opõem aos campos prático-inertes.
►A tese fundamental de pesquisa, nesta obra “Comunicação e Sociologia - artigos críticos”, afirma que as manifestações da sociabilidade são as primeiras antíteses salutares que se opõem aos campos prático-inertes (6). Em razão deste fato, as mesmas viabilizam a dialética das três escalas descobertas na realidade social (7), de tal sorte que nenhuma teoria de passagem à história – ainda que privilegiem a práxis das classes sociais – alcançará e incluirá os níveis mais elementares e irredutíveis da realidade sem levar em conta tais maneiras de ser ligado pelo todo no todo, que são as manifestações da sociabilidade.
• Duas seções
O texto de "Comunicação e Sociologia" pode ser classificado em duas seções. Uma que agrupa a exposição sobre a mirada diferencial, e inclui os seguintes capítulos: "A Mirada Diferencial", "Notas Críticas sobre as Teorias de Interação", "A Ausência de Mirada Diferencial em Satre", "Efetivismo e Sociologia".
Na outra seção do livro, incluindo os demais capítulos, é questão, notadamente, das aplicações da dialética das três escalas, como recurso para elucidar o posicionamento crítico do sociólogo em face do utilitarismo, estudado (a) em relação ao problema do conhecimento e das tecnologias de informação e comunicação (tics); (b) em relação aos determinismos da vida moral. Deve-se notar, ademais, que a crítica à tecnificação do saber e à imposição do primado da lógica nas relações humanas, comentada em alguns capítulos, faz par com a oposição sociológica ao utilitarismo doutrinário.
NOTAS COMPLEMENTARES
1) Declaração adotada pela Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948 (A/RES/217) http://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Introduction.aspx
2) Ver "Efetivismo e Sociologia: Uma reflexão em vista dos Direitos Humanos e Sociais", pág 125 do livro em pauta.
3) Esta orientação é sustentada pelo autor em seus comentários sobre as contribuições de Gastón Bachelar (1884 -1962) em "Le nouvel esprit scientifique (1934)".
4) A mirada diferencial assimila e desenvolve no plano da teoria sociológica e da dialética a diferença de que a cultura dos “de cima” não é a mesma dos “de baixo”.
5) Esse caráter imprevisível, inesperado e surpreendente da consciência coletiva pode ser facilmente constatado hoje em dia, na profusão de movimentos sociais que se mobilizam e irrompem tanto nas sociedades mais desenvolvidos quanto em países com pouca experiência de Democracia.
6) Os campos prático-inertes (termo introduzido pelo filósofo Jean Paul Sartre / 1905-1980) formam a base morfológica das sociedades, onde se inclui a instrumentalização da realidade material, com toda a aparelhagem técnica que circunda o homem e, mais amplamente, com todas as expressões exteriormente perceptíveis dos produtos humanos.
7) A realidade social é descoberta nas três escalas seguintes: [1] em escala microssociológica – inclui (a) os Nós, os seus três graus de intensidade e coesão, afirmados, respectivamente, como Massa, Comunhão, Comunidade; e (b) as relações com outrem; [2] em escala parcial – inclui os agrupamentos sociais particulares, (dentre eles o Estado, como bloco de localidades) e as classes sociais; [3] em escala das sociedades globais. Veja Gurvitch, Georges: (1894-1965): "Dialectique et Sociologie", Flammarion, Paris 1962, 312 págs. Col. Science.